A Vida Dupla do Espião Traidor
Sep 28, 2026 · 36 min · 13 segments
De volta a Havana, Annie instala-se sozinha num apartamento no bairro do Nuevo Vedado. É uma casa simples, sem os luxos a que estava habituada na embaixada da Suíça, que lhe é atribuída pelo regime…
[fundo musical]
Verão de 1958.
Fim de agosto.
Tem o areal grande, é cosmopolita e elegante.
Atrai parte da elite portuguesa que procura praia, glamour, casino e vida social.
Ani tem vinte e dois anos e quer emancipar-se.
Já trabalha numa livraria em Lisboa e dá aulas de línguas pra não viver totalmente à custa dos pais.
Mas a mãe ainda faz questão de ter influência na vida da filha e empurra-a pra participar num concurso de beleza.
Está muita gente a assistir ao Miss Piscina Praia 1958, que vai escolher a participante mais bonita.
Ani é uma delas.
Está de calções curtos, de cintura subida e um fato de banho cai cai.
A assistência manifesta-se entusiasticamente, conta o Diário de Lisboa no dia seguinte.
Ani é a vencedora.
Ganha uma taça, um ramo de cravos e uma caixa de bombons.
É fotografada com tudo isto na mão, sem um grande sorriso na cara.
Madalena Nita Palhota não tem dúvidas de que a prima só participou por insistência da mãe, que sempre deu muita importância ao aspecto físico.
Eu acho que sim, porque a minha tia fazia muito aquela coisa da beleza.
Pronto, ta-tal coisa de ter que andar sempre pintada, toda aperaltada.
Armanda Palhota sempre quis controlar a vida da filha, dos namoros à forma de vestir.
Minha tia, é, achava que podia decidir com quem é, de quem é que a gente gosta ou o que que a gente fa-fazia.
Na altura era assim e a minha tia era um bocado, era um bocadinho demais.
Porque se ela saísse à noite era porque ficava mal pro papai, é, se vestisse um vestido mais curto, era porque iam falar e por causa do pai.
Era sempre [som de motor] em função do pai, o que é que isso poderia de alguma maneira implicar na visão que as pessoas tinham de minha tia.
Para condicionar a filha e levá-la a fazer o que ela quer, Armanda Palhota usa a figura do marido como desculpa e quando essa estratégia não resulta, trata de agir.
[fundo musical]
Verão de 1958.
Fim de agosto.
Tem o areal grande, é cosmopolita e elegante.
Atrai parte da elite portuguesa que procura praia, glamour, casino e vida social.
Ani tem vinte e dois anos e quer emancipar-se.
Já trabalha numa livraria em Lisboa e dá aulas de línguas pra não viver totalmente à custa dos pais.
Mas a mãe ainda faz questão de ter influência na vida da filha e empurra-a pra participar num concurso de beleza.
Está muita gente a assistir ao Miss Piscina Praia 1958, que vai escolher a participante mais bonita.
Ani é uma delas.
Está de calções curtos, de cintura subida e um fato de banho cai cai.
A assistência manifesta-se entusiasticamente, conta o Diário de Lisboa no dia seguinte.
Ani é a vencedora.
Ganha uma taça, um ramo de cravos e uma caixa de bombons.
É fotografada com tudo isto na mão, sem um grande sorriso na cara.
Madalena Nita Palhota não tem dúvidas de que a prima só participou por insistência da mãe, que sempre deu muita importância ao aspecto físico.
Eu acho que sim, porque a minha tia fazia muito aquela coisa da beleza.
Pronto, ta-tal coisa de ter que andar sempre pintada, toda aperaltada.
Armanda Palhota sempre quis controlar a vida da filha, dos namoros à forma de vestir.
Minha tia, é, achava que podia decidir com quem é, de quem é que a gente gosta ou o que que a gente fa-fazia.
Na altura era assim e a minha tia era um bocado, era um bocadinho demais.
Porque se ela saísse à noite era porque ficava mal pro papai, é, se vestisse um vestido mais curto, era porque iam falar e por causa do pai.
Era sempre [som de motor] em função do pai, o que é que isso poderia de alguma maneira implicar na visão que as pessoas tinham de minha tia.
Para condicionar a filha e levá-la a fazer o que ela quer, Armanda Palhota usa a figura do marido como desculpa e quando essa estratégia não resulta, trata de agir.
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