A Vida Dupla do Espião Traidor
Oct 5, 2026 · 45 min · 14 segments
Doze anos depois de ter entrado num avião com Raymond Quendoz rumo a Cuba, Annie vai ter finalmente motivos para voltar a Portugal pela primeira vez. Com o pai preso em Caxias, regressa à casa da Rua…
É dia 27 de abril.
[ruído de multidão] Há centenas de pessoas em frente à casa da família Silva Pais.
Muito barulho, muitas palavras de ordem.
[telefone a tocar] Um amigo telefona a oferecer refúgio numa quinta longe de Lisboa.
Disse: "Não fujo.
Não me pesa a consciência de nada e quero ficar junto dos meus subordinados", lembrará dez anos mais tarde Armanda Palhota numa entrevista.
Dois jipes com seis militares e um alferes chegam à rua de Moçambique.
Armanda Palhota, que escreveu diários a vida inteira, com pormenores e conversas privadas, entra em pânico.
Não quer prejudicar o marido.
Agarram dezenas de cadernos, cartas e documentos, aqueles que têm tempo de apanhar, e atiram-os para dentro da banheira, recorda Madalena Nita Palhota.
Sim, ela destruiu tudo o que era antes do 25 de Abril, hã, com medo de haver alguma coisa que ela dissesse que pudesse de alguma maneira prejudicar o, o meu tio.
Ela meteu tudo numa ban-- na banheira e fez daquilo uma sopa de papel.
Destruiu tudo.
[ruído de multidão]
A empregada avisa: há soldados aos gritos nas escadas e vêm armados com G3.
[batida à porta] Instantes depois, quando batem à porta, é Armanda Palhota quem abre.
O oficial pergunta-lhe pelo marido.
Armanda mente-lhe.
Garante que ele não está em casa.
Traz um frasco de comprimidos para dormir na mão.
Entrega-se sem resistência.
É dia 27 de abril.
[ruído de multidão] Há centenas de pessoas em frente à casa da família Silva Pais.
Muito barulho, muitas palavras de ordem.
[telefone a tocar] Um amigo telefona a oferecer refúgio numa quinta longe de Lisboa.
Disse: "Não fujo.
Não me pesa a consciência de nada e quero ficar junto dos meus subordinados", lembrará dez anos mais tarde Armanda Palhota numa entrevista.
Dois jipes com seis militares e um alferes chegam à rua de Moçambique.
Armanda Palhota, que escreveu diários a vida inteira, com pormenores e conversas privadas, entra em pânico.
Não quer prejudicar o marido.
Agarram dezenas de cadernos, cartas e documentos, aqueles que têm tempo de apanhar, e atiram-os para dentro da banheira, recorda Madalena Nita Palhota.
Sim, ela destruiu tudo o que era antes do 25 de Abril, hã, com medo de haver alguma coisa que ela dissesse que pudesse de alguma maneira prejudicar o, o meu tio.
Ela meteu tudo numa ban-- na banheira e fez daquilo uma sopa de papel.
Destruiu tudo.
[ruído de multidão]
A empregada avisa: há soldados aos gritos nas escadas e vêm armados com G3.
[batida à porta] Instantes depois, quando batem à porta, é Armanda Palhota quem abre.
O oficial pergunta-lhe pelo marido.
Armanda mente-lhe.
Garante que ele não está em casa.
Traz um frasco de comprimidos para dormir na mão.
Entrega-se sem resistência.
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