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Miguel Frischknecht

Oct 1, 2026

17:46
E o que é que tu achas dessa situação de, de ser preciso fazer bancos de 24 horas? Eu lembro que uma vez conheci uma médica que me disse que quando fazia esses bancos, às vezes tinha que ver uma radiografia, tipo, às quatro da manhã e no dia seguinte passava o dia a pensar se tinha visto bem ou se lhe tinha falhado alguma coisa, porque pá, tava a trabalhar há 24 horas.
18:11
Eu percebo muito bem essa médica.
18:13
[riso] É pá, é verdade.
18:16
Ééé É um problema, mas isto é uma coisa transversal, não, não é só em Portugal, não é só o SNS.
18:22
Hã, na Alemanha também tinha, também tinha o mesmo tipo de bancos.
18:26
Hã, uma pessoa aprende a lidar com isso e aprende a gerir o esforço.
18:30
No, no, no início, hã, quando eu comecei o, o internato, hã, a especialidade, era mais complicado, eu achava, porque para além de termos o, o desgaste físico, de estar 24 horas sempre em alerta, hã, tens o desgaste emocional e o desgaste, hã, o desgaste intelectual da coisa, porque tu não sabendo o que é que tás a fazer ainda, portanto ainda tás meio à descoberta, tens que estar sempre a estudar, mesmo de banco, uma pessoa tem que ir ver: "Olhe, chegou agora um, um corte no dedo".

50 MINS LATER

69:18
E, e tu, tu-- a nível de quantidade de procedimentos, tu disseste que agora as pessoas querem algo muito natural, mas há, há uma linha vermelha na quantidade de procedimentos? Há algum momento em que tu até digas ao paciente: "É pá, é, é demasiado?"

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